Ícone do site VLC Decora

Crie filhos, não expectativas

Eu amo criar momentos especiais pra Maia. Amo transformar coisas simples em algo mágico, lúdico. Inventar histórias, criar lembranças, brincar de um jeito que ela se sinta amada, vista. Mas tem uma coisa que a gente costuma esquecer: muitas vezes a reação não vai ser do jeito que a gente imagina.

Quantas vezes a gente cria expectativas, imagina a cena perfeita, a reação perfeita… e no fim se frustra porque foi diferente? Desde que nos tornamos mães, aprendemos muitas lições e talvez até mais do que nossos próprios filhos. E uma delas é aprender a lidar com a frustração deles… e, principalmente, com a nossa.

A gente cria momentos, faz surpresas, compra presentes inesperados, e a criança simplesmente não demonstra aquela alegria que a gente esperava.

E aí vem aquele pensamento nada bonito, mas bem real: “Como assim? Que ingratidão!”
Eles não fazem ideia do tempo que levamos pra pensar nisso. Ou do dinheiro que suamos pra conseguir comprar aquele presente. Mas a verdade é que nada disso importa se aquilo não é algo que eles desejam.

Com o tempo, fui percebendo que eu me frustrava muito com a Maia porque criava expectativas que não eram atendidas por um motivo simples: eu pensava em mim, não nela. Pensava no que eu acharia legal se fosse criança, mas ela é outra pessoa, com gostos, opiniões e desejos próprios.

Uma frustração recente foi quando caiu o primeiro dentinho da Maia. Ele já estava mole há dias, mas ela queria deixar cair sozinho, sem puxar. Ficamos naquela expectativa… até que, em um dia, uma coleguinha dela estava aqui em casa e o dente da amiga caiu. Fizemos festa! Minutos depois, a Maia começou a mexer no dentinho dela… e ele caiu também. Alegria total! As duas perderam o dente juntas.

Na minha cabeça, aquilo virou um evento. Planejei a noite especial da visita da Fada do Dente: escrevi uma cartinha, separei duas moedas, algumas balas e fiz um caminho de glitter pra ela encontrar.

Ela acordou empolgada. Lemos a cartinha juntas. Mas quando ela viu as moedas e as balas… se frustrou. Disse que “só ganha bala”.

Fiquei confusa, porque normalmente a Fada do Dente só traz moeda. Ela tinha ganhado moedas e balas! Mas mesmo assim quase chorou, dizendo que queria um brinquedo.

Na hora, confesso: fiquei com raiva. Deu vontade de dizer “então fica sem nada”.
Respirei. Conversei. Expliquei que ela deu um dente e que a fada trouxe cinco coisas pra ela. Mas nada disso importava. Ela queria um brinquedo.

E foi ali que caiu uma ficha importante pra mim. Eu vi como ela estava crescendo. Como estava formando opiniões. Porque até então, qualquer coisa que ela ganhava já era motivo de alegria.

Nós nunca fomos pais que dão tudo ou enchem a criança de brinquedos. Sempre focamos mais em livros, joguinhos, atividades como pintar, massinha, essas coisas. E ela sempre amou. Nunca foi uma criança de pedir brinquedo ou fazer birra por isso.

Mas agora ela fez 5 anos. E parece que, do 4 pro 5, ela deu um salto enorme. Como se estivesse entendendo que pode escolher, opinar, querer coisas diferentes.

Mais uma vez, quem precisou lidar com a expectativa criada e frustrada fui eu. A expectativa dela… e a minha. E mais uma vez eu aprendi que não adianta esperar a reação perfeita ou querer que a criança aja como a gente agiria.

Mesmo sabendo disso tudo, eu sei: na próxima surpresa, provavelmente vou esquecer de novo… e me empolgar outra vez porque ser mãe também é isso.🩷

Vem assistir como foi:

Agora me conta, como são as expectativas por aí? Já aprendeu a não criá-las? rsrs

Sair da versão mobile